Arquivo mensais:outubro 2012

De que lado você fica?

Existem algumas verdades bíblicas que são inegociáveis: a inerrância das Escrituras, a Trindade, a salvação pela graça…e entre elas podemos destacar uma que em face das vicissitudes diárias enfrentadas por todos nós torna-se de algum modo esquecida: o destino que Deus tem para nossas vidas é bom.

Permita-me repetir isso: o destino que Deus tem para nossas vidas é bom. Se necessário, leia mais uma vez, e deixe que estas palavras sejam absorvidas como água que se derrama sobre terra seca.

Uma sentença assim abre diversos ângulos de discussão: qual o conceito bíblico sobre a palavra destino? Como ter a certeza de que ele é bom? Onde está a bondade de Deus no meio de tanto mal? Por que sofro tanto se Deus é bom? No entanto, o intuito deste texto não é analisar exaustivamente estas indagações, mas lançar luz sobre o tema da bondade de Deus de nossa postura frente à isso.

Para tal, teremos o texto de Jeremias 29.11(NVI) como norte nesta reflexão:

Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes ESPERANÇA e um FUTURO.” (grifo nosso).

O que a Palavra ensina? Que há um plano em ação nos conduzindo, dia após dia,  a um futuro de prosperidade esperançaPodemos ter vivido um passado de dor e fracasso, porém ele não é capaz de impedir a manifestação da vontade soberana de Deus. Em outras palavras, o passado fez parte do processo de construir quem você é hoje, mas não determina quem você será amanhã. A verdade é que a história de sua vida ainda não acabou. O Senhor é claro ao afirmar: “Eu tenho um plano, um futuro de esperança para fazê-lo prosperar”. Vale lembrar que o termo prosperidade não é restrito à finanças, mas abrange a vida humana como um todo; Deus mesmo fornece os subsídios de modo a  fazer cumprir Seus propósitos e glorificá-lo. Se respondemos a isso, se formos fiéis no pouco, sobre o muito Ele nos colocará (Lc 16.10).

Entretanto, falar em destino não é isentar o homem de sua responsabilidade em responder aos mandamentos de Deus. O mesmo Senhor que ordena sede santos (1Pe 1.16) mostra nossa incapacidade humana de fazê-lo (ou sê-lo) sozinhos (…sem mim, nada podeis fazer… Jo 15.5). Portanto, estas duas afirmações que, a princípio parecem contradizentes, na realidade de algum modo se auto-complementam e nos trazem ao segundo princípio que abordaremos: temos responsabilidade sobre o destino que nos aguarda. Nosso propósito no Reino não acontece de forma involuntária, automaticamente. O Senhor estabelece os planos, cria as oportunidades e nós temos que responder a elas. Com o intuito de estabelecer de forma mais clara estes princípios, vamos nos encontrar com Josué, no momento onde ele estava na liderança dos israelitas e na expectativa para entrar na Terra Prometida.

Moisés havia sido o instrumento escolhido por Deus para libertar Seu povo da escravidão no Egito. Foram cerca de quatrocentos anos, tempo no qual uma nação de aproximadamente três milhões de pessoas floresceu a partir da família de Jacó ( Ex 1.7). Após o saída miraculosa e a passagem pelo Mar Vermelho, foram quarenta anos de permanência no deserto, como resultado do juízo de Deus em resposta à incredulidade do povo frente a revelação divina (Nm 13). Conforme àquilo que o Senhor havia pronunciado, a primeira geração morrera no deserto e a incumbência de liderar a nova geração na conquista da Terra Prometida estava nas mãos do jovem líder. Vejamos então o que nos ensina o relato bíblico, extraindo os princípios ali contidos de forma a aplicá-los em nossa caminhada cristã.

Vale a pena, antes, ressaltar: o destino que o Senhor tem para as nossas vidas é bom. 

Vamos lá?

O livro de Josué começa narrando alguns fatos significativos:

Depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, disse o SENHOR a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés: “Meu servo Moisés está morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, você e todo este povo, preparem-se para entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas. Como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês. Seu território se estenderá do deserto ao Líbano, e do grande rio, o Eufrates, toda a terra dos hititas, até o mar Grande, no oeste”. (Js 1.1-4)

Atente às primeiras palavras do texto: “Depois da morte de Moisés…”. Creio que muitos aqui já ficariam paralisados frente a este “aparente obstáculo”: a morte de Moisés.  Você consegue imaginar o tamanho do desafio? Suceder o grande legislador? E como se não bastasse, o destino de três milhões de pessoas estava agora em suas mãos. No entanto, Deus é específico em afirmar isso a Josué logo no versículo dois, já chamando ele à ação: levanta-te! Há uma atitude enérgica aqui; a palavra levanta-te (no hebraico qum - קום) tem o sentido dentre outras coisas de “ficar de pé a partir de uma posição prostrada”. Com isso, o Senhor estabelece alguns pontos fundamentais com Josué antes de sua jornada:

1) Moisés morrera: ele era o alicerce que até então mantivera o “povo unido” através da Lei. No entanto, o propósito em sua vida havia se cumprido e o Senhor mesmo não permitiu que Moisés fosse o líder na conquista. Interessante pensar que, como Moisés fora o mediador da Lei e não entrou na Terra Prometida – ele apenas a viu de longe (Dt 34 – fato que mais tarde o escritor de Hebreus cita como tendo-as visto de longe (Hb 11.13), pode-se inferir que a Lei não conduziu o povo à Terra, mas sim a fé na promessa. Josué (do hebraico yehoshua - יהושע“o Senhor é a salvação”) torna-se então um tipo de Cristo, levando o seu povo à salvação, à promessa divina revelada. A Lei apontara o caminho, mas a fé seria o instrumento de conquista.

(continua…)

Entendes o que ouves?

Ora, achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão, e, ao terceiro dia, ressuscitará. E eles se entristeceram muito”  Mt 17.22-23

Será que temos ideia de o quanto as distrações podem ser letais? Letais para a nossa fé, para nossa cosmovisão e entendimento da realidade que nos cerca?

Em determinada ocasião, Jesus estava falando com os discípulos sobre fé, pois eles não haviam conseguido libertar um menino por causa de sua incredulidade. Jesus incia um diálogo com eles sobre a realidade de uma fé sem reservas, focada no lugar certo (o Pai) e de como ela se torna um instrumento poderoso em Suas mãos. Em seguida, Jesus faz menção à Sua morte e ressurreição, gerando uma reação impressionante nos apóstolos. A Bíblia diz que eles se entristeceram. Isso mesmo, você não leu errado – eles se entristeceram muito.

Impressionante.

Jesus estava compartilhando com eles o momento ápice de seu ministério, do plano de Deus para redimir o homem e qual a resposta dos ouvintes?

Tristeza.

Naturalmente somos então levados à seguinte questão: será que entendemos tudo o que ouvimos de Deus?

Deus sempre fala…mesmo Seu silêncio fala. O grande problema é que não ouvimos e, quando ouvimos, se entendemos realmente o que Ele diz. Veja que Jesus estava falando sobre sua morte e ressurreição, mas eles não entendiam isso. Poderiam estar pensando de uma maneira genérica, na ressurreição final de todos no fim dos tempos (olam habáעולם הבא). Este pensamento não era novo, pois mesmo Marta, ao ouvir de Jesus que seu irmão Lázaro ressuscitaria, responde a Jesus dizendo que “…Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia…”(Jo 11.24). Afinal de contas, não havia precedentes de alguém ressuscitando após três dias! De algum modo, sua limitação ao crer além dos limites naturais os fez não ouvir mais nada depois da menção de Jesus à Sua morte.

Este é um grande problema nosso: temos dificuldade com o novo, de sequer imaginar Deus fazendo algo que nos surpreenda. Momentos antes Jesus falava da fé, que através dela nada é impossível, mas mesmo assim eles não entenderam. Os discípulos fixaram suas mentes apenas no momento de morte e ficaram tristes com isso. Não que não devessem ficar – afinal de contas, Jesus iria morrer. Mas Ele mesmo estava garantindo que iria ressuscitar. Cadê então a alegria?

Interessante pensar que Jesus não continuou falando do assunto, nem explicando para eles a necessidade da cruz. Podemos pensar que determinadas coisas Deus até nos fala mas, como não estamos preparados para ouvir, Ele deixa que a semente siga seu caminho natural, germine e cresça. Observe que somente após Sua ressurreição eles entenderam, ainda que alguns tenham duvidado (Mt 28.17). Não é à toa que Jesus, em diversas ocasiões, alertou para o fato de “quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” O problema não está nAquele que fala, mas naquele que ouve! As palavras de Jesus nunca trarão tristeza, a não ser que não consigamos entender o que Ele diz…mesmo que sejam adversidades, Ele sempre lança a semente de esperança! Será que entendemos o que ouvimos? Se estamos ainda confusos e tristes, devemos continuar aos pés de Jesus até que tenhamos entendido tudo o que Ele quis nos dizer…

E você…tem ouvido e compreendido aquilo que Jesus ministra em sua vida?

Em Cristo,

Pr. Daniel