Arquivo diários:2 de novembro de 2012

De que lado você fica? – parte 2

(leia antes a primeira parte aqui)

Antes de iniciar o segundo ponto, é importante frisar o o cuidado de Deus nos detalhes da jornada. Primeiro, o Senhor faz Josué encarar o fato da morte de Moisés e como agora o momento era seu. O passado deve ficar onde está: no passado. Remoer fatos e imaginar situações hipotéticas a partir de pensamentos iniciados com “e se…” não o levaria (e nem a nós) a lugar algum. É natural nos assustarmos quando, acostumados a seguir alguém, somos levantados à posição de liderança – uma situação onde nos encontramos sob os olhares de todos à espera de direção. O desconforto certamente pousou em seus ombros. O receio da comparação era real. O que pensarão de mim? Como lidar com aqueles que até pouco tempo eram meus pares? É a partir deste cenário que observamos maravilhados como o Senhor conduziu todo este processo, sendo bastante enérgico no comando dado a Josué de se erguer de sua posição anterior e assumir uma nova postura. A partir de agora, não só a atenção do povo, como também a atenção do Senhor estava sobre a sua vida.

Prossigamos então com o segundo princípio apontado pelo Senhor:

2) uma preparação era necessária: “Agora, pois, você e todo este povo preparem-se para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas…”(grifo nosso). Em outras palavras, o Senhor estava pontuando com Josué algumas atitudes necessárias. “Josué, faça um planejamento. Organize as fileiras. Distribua as provisões. Prepare-se, pois vou dar a terra para vocês…”. Planejar é também uma atitude espiritual. Observe que no versículo 10 e 11 vemos Josué respondendo ao comando do Senhor: “Então Josué orientou aos oficiais do povo: passai pelo meio do acampamento e e dai esta ordem ao povo: “Preparai vossas provisões!” Daqui a três dias atravessareis o Jordão neste ponto, com o objetivo de entrardes e ocupardes a terra cuja posse o Senhor vosso Deus vos concede”.

Algumas coisas nos chamam a atenção aqui: o planejamento do cristão deve estar submetido à Palavra de Deus. Josué é instruído pelo Senhor e só então toma as atitudes necessárias. Infelizmente, muitos de nós agimos exatamente ao contrário: fazemos planos e simplesmente esperamos que o Senhor os abençoe! A ordem é clara: devemos passar pelo crivo bíblico tudo aquilo que pensamos (Fp 4.8) e  só então apresentá-los diante de Deus em oração e humildade. Pela Sua graça, o Senhor em Sua soberania pode ou não abençoar nosso planejamento. A maturidade nos ensina que mesmo projetos respaldados pela Bíblia podem receber um sonoro não de Deus. Veja o exemplo de Davi quando, ao final de sua vida, resolve em seu coração construir um templo ao Senhor (2Sm 7). Apesar de um desejo lícito e louvável, o Senhor não o permitiu, transferindo a tarefa para seu filho Salomão. A atitude de Davi em resposta ao não de Deus? Gratidão e humildade em perceber tamanho amor pela sua família – não é à toa que ele recebe a alcunha de “homem segundo o coração de Deus”. Muitos querem ser conhecidos da mesma maneira sem deixar de abrir mão do eu; e quando muito, o fazem sob os mais vigorosos protestos. Bem diferentes do exemplo de Davi, não?

Outro ponto a destacar é a boa comunicação exercida por Josué. O texto narra que ele “…orientou aos oficiais do povo: passai pelo meio do acampamento e dai esta ordem ao povo…”. Não só o diálogo entre ele e as lideranças do povo era eficiente, mas também o movimento de interação promovido ali – cada oficial deveria repassar a ordem no meio do acampamento. Ou seja, havia um senso de comunidade muito forte com consequências interessantíssimas. Mesmo a hierarquia não era capaz de fazer qualquer distinção entre eles – o trânsito parecia fluir com naturalidade. O resultado disso foi o movimento criado, onde todos participaram do preparo das provisões para a conquista.

Vale ressaltar a ordem dos fatos: uma direção dada pelo Senhor, a prontidão de Josué em responder ao chamado,a boa comunicação (pode-se afirmar também bons relacionamentos) e o movimento entre o povo resultantes de tudo isso. Quaisquer pontos negligenciados aqui trariam graves consequências ao processo da conquista – grave isso em seu coração. Jesus mais tarde, ao longo de Seu ministério, foi enfático ao ensinar a premência de  ouvir e entender aquilo que se ouve. Uma audição apurada é parte fundamental em nosso relacionamento com o Senhor, e ela só é desenvolvida quando investimos tempo em leitura e oração na Palavra. É algo que se adquire com o tempo, sem atalhos nem subterfúgios.

Por último, vale destacar mais dois princípios importantes aqui: a comunicação saudável traduz de forma clara a visão. Qual era a finalidade de estarem ali? Entrar e ocupar a terra. Não era uma passeio com a família, muito menos um tempo de férias. Era chegada a hora tão ansiada de finalmente pisar e conquistar os sonhos de toda uma vida. Após tantos anos de escravidão e peregrinação, o ápice de tudo aquilo ia se tornar real. A visão clara é importante não só para o resultado da campanha, mas serve também como um poderoso agente motivador nos corações. Ninguém aprecia andar a esmo, errante de lugar em lugar. Observe como estes pontos até aqui mencionados são como elos de uma corrente, sem os quais uma visão não pode ser tornar realidade. Não obstante, finalizamos esta reflexão chamando a atenção para o lugar onde Josué estava direcionando o foco do povo: o Senhor. Toda a preparação, todo movimento só tinham razão de ser por causa da fonte de tudo – Deus. Leia com atenção as últimas palavras de Josué ao instruir a nação: “…Daqui a três dias atravessareis o Jordão neste ponto, com o objetivo de entrardes e ocupardes a terra cuja posse o Senhor vosso Deus vos concede”.

Sim, eles tinham uma promessa, os recursos necessários e os meios para a conquista. Mas nada disso teria qualquer resultado significativo se o Senhor não estivesse à frente. Josué aprendera com Moisés a lição de que tudo provinha do Senhor, e ele soube, desde o começo, transferir toda a Glória para Deus. Por maiores que fossem seus esforços, ainda assim sem o Senhor tudo aquilo seria em vão.

Absorva estes princípios…e lembre-se sempre das palavras do salmista:

“Se o Senhor não edificar a casa, trabalham em vão os que desejam construí-la” Sl 127.1

(continua)