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Série bem aventuranças – parte 3

“Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5.6)

Pense por um momento no que seu coração tem se ocupado. É provável que encontre uma mistura de sonhos e desejos. Entretanto, reflita um pouco e procure discernir neste mosaico onde estão suas necessidades.

Falar em bem aventuranças não é falar de desejos, mas de necessidades. Grave isso.

Jesus afirma ser motivo de alegria reconhecer nosso anseio pelas necessidades supridas. Que necessidades são essas? As coisas mais básicas da vida. Note a menção a isso através do exemplo dado - fome sede. As necessidades ressaltam a verdade de que todos são feitos do mesmo pó, participantes da mesma natureza. Atente ao fato de que todo ser humano, seja qual for sua origem, posição social, tamanho da conta bancária ou escolaridade compartilham das mesmas necessidades. É sobre isso que Jesus está falando. Todo ser humano sente fome sede.

E quais são as necessidades mais básicas? Alimentos e água? Com certeza.

Mas não apenas isso…

Sentimos a necessidade de ser amado e poder amar; ser importante e relevante para alguém; ajudar e ser ajudado. Aceitar e ser aceito, errar e ter a possibilidade de aprender com os erros; recomeçar. 

Saber que Deus é bom, que Deus o ama e cuida de mim.

Jesus ainda complementa nos apontando o caminho para a satisfação: a justiça. Não se trata aqui de uma justificação relacionada à alguma situação em particular; o termo é usado para definir uma posição do cristão em relação à Deus. Em outras palavras, é reconhecer que nossas necessidades básicas precisam estar posicionadas em Deus. Ou seja, quando deixamos de lado nossa pretensa independência e nos rendemos ao senhorio de Cristo. Lançamos então sobre Ele nossa vida, tudo o que temos e somos, e dEle esperamos a água viva que nos sacia.

Tanto que esta é a promessa: você será saciado e terá suficiência em todas as áreas.

Isso não é maravilhoso?

Em Cristo,

Pr. Daniel

(Continua. Você pode ler a primeira parte aqui e a segunda aqui)

Série bem aventuranças – parte 2

(leia a primeira parte aqui)

“Bem aventurados os humildes, porque herdarão a terra“ (Mt 5.5)

O discipulado cristão tem uma profunda relação com o ensino. O termo hebraico para discípulo é talmid (תלמיד), cujo sentido básico é aluno. Em outras palavras, se você não está disposto a ser ensinado (ensinável principalmente), não há outro meio de seguir a Jesus e ser um discípulo.

Quando Jesus faz menção aos humildes, o termo tem um significado diverso do que é comumente entendido por aí (relacionado principalmente com carência ou pobreza). Não se trata disso. Mateus usa aqui o termo grego praus (πραεις), com o sentido de “uma disposição mental; gentileza interior ou do espírito”. Ou seja, a humildade ressaltada por Jesus é uma disposição de espírito (ou interior) com o qual aceitamos a forma como Deus lida conosco sem, no entanto, disputar ou resistir.

Sim. resistir.

A natureza de rebeldia do pecado insiste em querer as coisas do seu jeito. É fácil verificar isso – atente à suas palavras enquanto ora…por vezes, trocamos o seja feita a Tua vontade por seja feita nossa vontade. Esbarramos involuntariamente na incapacidade humana de contemplar o plano de Deus em sua totalidade, limitados pelo aqui agora característicos de seres temporais que somos. Dessa forma, acabamos de traçar o plano e apontamos a Deus: “- é por aqui, Senhor”. Mas eu e você sabemos que as coisas não funcionam dessa maneira. O resultado de quando não acontece como planejado?

Resistência.

Pois bem. O antídoto para isso é a humildade, caracterizada pela confiança plena em Deus, mais do que em nossas próprias forças. Ele é nosso Juiz. Ele nos defenderá. Ele sabe mais da vida do que nós.

Ele é o Rei.

A promessa?

Uma herança – a terra – símbolo da totalidade do Reino do Pai que herdamos com Cristo. Um lugar onde o ladrão não mais alcançará, onde nossa alma terá descanso e onde passaremos a eternidade maravilhados com a extensão da graça do Pai.

Em dias de protecionismo e individualismo, faz toda a diferença abrir mão de si mesmo e confiar no Pai.

Você aceita o convite de Cristo?

Pr. Daniel

(continua)

Obstáculo ou oportunidade?

Não sei se você já notou – provavelmente sim – em como as crianças brincam. Na realidade, basta lembrar de quando você era uma. Para mim, uma das lembranças mais fortes é das tardes onde, junto com amigos da vizinhança, montávamos nossos “ Forte Apache ” e a semana corria solta, entre colonizadores e índios. Ainda hoje, em tempos de playstations a premissa é a mesma: a fantasia de viver uma outra personalidade, de ser um “super-herói”. Mesmo inconscientemente, existe uma ponta de fuga da realidade, um modo de superar os obstáculos naturais e experimentar fazer coisas que um ser humano normal não faria.

Ainda que seja por pura diversão – a industria do cinema está aí e continua com toda a força.

Mas quero com a reflexão de hoje chamar a atenção para um determinado ponto: os obstáculos. Se alguém hoje lhe perguntasse qual sua limitação, ou qual obstáculo o impede de prosseguir em sua vida, o que responderia?

Zaqueu teria esta resposta na ponta da língua.

- “Minhas limitações?” - diria ele - “eu diria, basicamente, eu mesmo”.

Veja o relato de Lucas a respeito de Zaqueu:

“Havia ali um homem chamado Zaqueu, o qual era chefe dos publicanos e era rico. Este procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura” (Lc 19.2-3)

Zaqueu era baixinho, rico (sim, um limitador em suas relações) e havia uma multidão perto de si. Ele queria ver quem era Jesus; assim como acontece com todos nós, sempre que desejamos algo, um obstáculo se interpõe à nossa frente. E ele pode se manifestar nas mais variadas formas: um convite a um jantar quando planejamos uma dieta; distrações quando planejamos um estudo, uma leitura da Bíblia; uma emergência no trabalho quando finalmente separamos um tempo para a família… ou como Zaqueu, um conjunto de fatores torna-se nosso obstáculo – suas limitações físicas, as pessoas ao seu redor, as circunstâncias de sua vida.

Surge então a pergunta: qual o ponto de virada? Que atitudes podem desencadear uma mudança radical num quadro assim? Bem, vejamos o que Zaqueu fez e que princípios podemos trazer para nossas vidas.

O versículo 4 aponta dois destes obstáculos (já mencionados acima): sua pequena estatura e a multidão. O fato é que, ao contrário do que muitos fariam, Zaqueu mostra uma forte determinação em não deixar que isso o impeça de ver Jesus. Em outras palavras, havia a possibilidade de que, por detrás dos obstáculos, houvesse uma grande oportunidade. Ele literalmente correu – enfrentou e superou o que se apresentava entre ele e Jesus. Dois pensamentos se destacam aqui:

- se o obstáculo é grande, às vezes é necessário recuar para ganhar impulso;

- seu revés de hoje pode ser tornar o impulso de amanhã – depende de sua atitude.

Percebeu? Zaqueu precisou correr, se quisesse mesmo ver o Mestre. E ele o fez.

Outro ponto interessante: Zaque se antecipou a Jesus, pois sabia onde o Senhor ia passar. A atitude dele de não se render às circunstâncias, deixando que elas de algum modo o limitassem tornou-se primordial nas mudanças que seriam desencadeadas por tal atitude. Tudo começara com uma curiosidade a ser saciada; entretanto, Zaqueu receberia mais do que isso.

Observe que ele não vai embora satisfeito depois de ter visto o Mestre. Ele bem poderia ter feito isso, mas ele recebe um chamado inesperado:

- Zaqueu! Desce depressa, pois preciso hoje ficar em tua casa” (v.5)

O que aprendemos aqui? Que com Jesus, sempre tem mais! Zaqueu tinha a intenção de apenas ver Jesus, e sai daquele lugar com muito mais que isso: a companhia do próprio Cristo. Os eventos a seguir são permeados de mais obstáculos, pois o povo que presenciou tudo aquilo começa a murmurar a respeito da visita inesperada de Jesus à um publicano, o que exige uma resposta rápida de Zaqueu: ” – Senhor…dou a metade de meus bens…e se ainda defraudei a alguém, restituo quatro vezes mais…”. Como isso se chama? Arrependimento.

O mesmo teor dos discursos iniciais de João Batista e de Jesus no começo de Seu ministério; o passo primordial para a entrada no Reino do Pai.

Atente a lição ensinada por Zaqueu: obstáculos podem esconder oportunidades; às vezes, grandes oportunidades. Ele apenas queria ver quem Jesus era. Entretanto, saiu com muito mais que isso – a presença do Salvador em sua casa e uma mudança em suas relações. 

Ajuste sua visão para a próxima vez que algo se interpor entre você e algo que você deseja.

Quem sabe o Senhor não está ali, com um convite pronto a ser estendido?

” – posso ficar hoje em sua casa?”

Pr. Daniel