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Obstáculo ou oportunidade?

Não sei se você já notou – provavelmente sim – em como as crianças brincam. Na realidade, basta lembrar de quando você era uma. Para mim, uma das lembranças mais fortes é das tardes onde, junto com amigos da vizinhança, montávamos nossos “ Forte Apache ” e a semana corria solta, entre colonizadores e índios. Ainda hoje, em tempos de playstations a premissa é a mesma: a fantasia de viver uma outra personalidade, de ser um “super-herói”. Mesmo inconscientemente, existe uma ponta de fuga da realidade, um modo de superar os obstáculos naturais e experimentar fazer coisas que um ser humano normal não faria.

Ainda que seja por pura diversão – a industria do cinema está aí e continua com toda a força.

Mas quero com a reflexão de hoje chamar a atenção para um determinado ponto: os obstáculos. Se alguém hoje lhe perguntasse qual sua limitação, ou qual obstáculo o impede de prosseguir em sua vida, o que responderia?

Zaqueu teria esta resposta na ponta da língua.

- “Minhas limitações?” - diria ele - “eu diria, basicamente, eu mesmo”.

Veja o relato de Lucas a respeito de Zaqueu:

“Havia ali um homem chamado Zaqueu, o qual era chefe dos publicanos e era rico. Este procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura” (Lc 19.2-3)

Zaqueu era baixinho, rico (sim, um limitador em suas relações) e havia uma multidão perto de si. Ele queria ver quem era Jesus; assim como acontece com todos nós, sempre que desejamos algo, um obstáculo se interpõe à nossa frente. E ele pode se manifestar nas mais variadas formas: um convite a um jantar quando planejamos uma dieta; distrações quando planejamos um estudo, uma leitura da Bíblia; uma emergência no trabalho quando finalmente separamos um tempo para a família… ou como Zaqueu, um conjunto de fatores torna-se nosso obstáculo – suas limitações físicas, as pessoas ao seu redor, as circunstâncias de sua vida.

Surge então a pergunta: qual o ponto de virada? Que atitudes podem desencadear uma mudança radical num quadro assim? Bem, vejamos o que Zaqueu fez e que princípios podemos trazer para nossas vidas.

O versículo 4 aponta dois destes obstáculos (já mencionados acima): sua pequena estatura e a multidão. O fato é que, ao contrário do que muitos fariam, Zaqueu mostra uma forte determinação em não deixar que isso o impeça de ver Jesus. Em outras palavras, havia a possibilidade de que, por detrás dos obstáculos, houvesse uma grande oportunidade. Ele literalmente correu – enfrentou e superou o que se apresentava entre ele e Jesus. Dois pensamentos se destacam aqui:

- se o obstáculo é grande, às vezes é necessário recuar para ganhar impulso;

- seu revés de hoje pode ser tornar o impulso de amanhã – depende de sua atitude.

Percebeu? Zaqueu precisou correr, se quisesse mesmo ver o Mestre. E ele o fez.

Outro ponto interessante: Zaque se antecipou a Jesus, pois sabia onde o Senhor ia passar. A atitude dele de não se render às circunstâncias, deixando que elas de algum modo o limitassem tornou-se primordial nas mudanças que seriam desencadeadas por tal atitude. Tudo começara com uma curiosidade a ser saciada; entretanto, Zaqueu receberia mais do que isso.

Observe que ele não vai embora satisfeito depois de ter visto o Mestre. Ele bem poderia ter feito isso, mas ele recebe um chamado inesperado:

- Zaqueu! Desce depressa, pois preciso hoje ficar em tua casa” (v.5)

O que aprendemos aqui? Que com Jesus, sempre tem mais! Zaqueu tinha a intenção de apenas ver Jesus, e sai daquele lugar com muito mais que isso: a companhia do próprio Cristo. Os eventos a seguir são permeados de mais obstáculos, pois o povo que presenciou tudo aquilo começa a murmurar a respeito da visita inesperada de Jesus à um publicano, o que exige uma resposta rápida de Zaqueu: ” – Senhor…dou a metade de meus bens…e se ainda defraudei a alguém, restituo quatro vezes mais…”. Como isso se chama? Arrependimento.

O mesmo teor dos discursos iniciais de João Batista e de Jesus no começo de Seu ministério; o passo primordial para a entrada no Reino do Pai.

Atente a lição ensinada por Zaqueu: obstáculos podem esconder oportunidades; às vezes, grandes oportunidades. Ele apenas queria ver quem Jesus era. Entretanto, saiu com muito mais que isso – a presença do Salvador em sua casa e uma mudança em suas relações. 

Ajuste sua visão para a próxima vez que algo se interpor entre você e algo que você deseja.

Quem sabe o Senhor não está ali, com um convite pronto a ser estendido?

” – posso ficar hoje em sua casa?”

Pr. Daniel

A escolha de Noé

A história de Noé é bastante atípica em vários sentidos – pouco sabemos de sua vida anterior até sua apresentação, quando pela graça Deus o chama para um trabalho.

E que trabalho, meu amigo!

Imagine-se acordando dia após dia e ver-se envolvido em algo que escapa de sua compreensão, pois um dia uma voz do céu o ordenou a fazê-lo.

Imagine-se chamado a construir um barco, muito grande, longe do mar ou de estaleiros, sem ajuda de marinheiros profissionais ou qualquer ajuda de “gente do ramo”. E por isso mesmo, ser o alvo de comentários e olhares nada encorajadores.

Conhecemos a história…o tempo passa (cerca de 100 anos) e finalmente, num dia que chegara como qualquer outro, a chuva vem e as águas enchem a terra. Noé agora está cercado de morte por todos os lados. Animais, plantas, homens…a Bíblia afirma que tudo que possuía fôlego de vida expirou, e somente aqueles dentro da arca tiveram uma nova oportunidade.

Este é o ponto: novas oportunidades.

Todos os dias novas oportunidades surgem diante de nós – basta ter habilidade para reconhecê-las. Podemos não notar, mas cada amanhecer traz consigo novas possibilidades, apesar de nem sempre percebemos isso.

Reflita por um momento: quando as águas baixaram, Noé tinha duas opções ao sair da arca. Ou ele “enterrava os mortos” ou ou começa o plantio de uma nova vida. O texto bíblico nos mostra a escolha que ele fez - plantou uma vinha. Podemos fazer uma aplicação aqui de que, como Noé, podemos passar nossos dias enterrando os mortos - lamentando pelo que ficou para trás, sentados à beira do caminho vendo a vida passar – ou plantamos uma vinha - novos projetos, um novo emprego, uma nova visão sobre o ministério…plantar o amor em nosso cônjuge, em nossos filhos. Uma busca maior por Deus.

Qual tem sido a sua escolha?

Que este ano que se inicia possa ser um período não só de plantio, como de colheita das sementes que você tem plantado junto ao Senhor. Se ainda não plantou nada, é hora de começar!

Afinal, daqui a pouco é noite…e logo em seguida, um novo amanhecer…

Um feliz ano novo, de muito plantio e de uma colheita abundante!

NAquele que é a fonte da vida,

Pr. Daniel

Jonas, Jonas…

É manhã em Israel. O sol nasce devagar, preguiçoso por dentre as montanhas enquanto um certo profeta faz seu desejum matinal. “O que dia trará?” pode ter sido seu primeiro pensamento. As idéias rodavam despretensiosas em sua mente, enquanto saboreava o leite e o pão feitos no dia anterior – “este será um dia promissor”, pode ter pensado, até que uma sensação de urgência começa a brotar em seu coração.

Ele sabia do que se tratava. Era o Senhor chamando sua atenção, pronto a lhe dar instruções sobre onde ele deveria ir profetizar a Palavra do Altíssimo, o Santo de Israel.

“Irei a Jerusalém?”, deve ter pensado…“ou quem sabe uma visita à Nazaré? Faz tempo que não apareço por aquelas bandas…” e então ela veio, a voz inconfundível do seu Deus:

“Veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.”  (Jn 1.1,2)

Jonas fica paralisado….a fome repentinamente se esvai e os pensamentos agora pipocam em sua mente numa vertiginosa rapidez.

Nínive?

Nínive?

Nínive???

“Não pode ser….devo estar enganado”. Porém, ele não estava e sabia disso. A ordem era clara. E uma ordem surpreendente…Nínive era a capital da Assíria, uma nação perversa e considerada uma ameaça pelos israelitas. E o Senhor o estava comissionando justamente para profetizar àquele povo.

O momento é dramático (para não dizer cômico). O profeta não esboça nenhuma reação aparente. Ele guarda calmamente a louça, arruma a cama, faz as malas e sai. Não há palavras em seus lábios. Ele não ousa olhar para o céu, sabendo que o Senhor estava, de qualquer modo, observando tudo. Um medo tolo, como se Deus não conhecesse aquilo que se passava em seu interior. Jonas fecha o portão de sua casa e toma uma rápida decisão: “Bom…Nínive fica a uns 800 Km a noroeste daqui. Então vou para o outro lado, a sudeste, em direção à Tarsis”. E segue o profeta então em plena fuga.

É isso mesmo que você leu. A Bíblia diz que Jonas foge logo após receber a ordem do Alto. O que o motivou a fugir? Ele mesmo confessa a Deus – acompanhe:

“…sei que és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que arrependes do mal” (Jn 4.2b). Em outras palavras, Jonas fugiu por não querer ver a salvação de Deus operando no meio de um povo que ele não gostava e que considerava indigno da graça divina. A seus olhos, a justiça divina seria mais compatível com a destruição daquelas pessoas, e não a salvação.

Será que somos diferentes de Jonas? Estando separados dele pelo tempo e pelas  circunstâncias, podemos confortavelmente julgar sua atitude e bater no peito de maneira ufanista, dizendo: comigo seria uma outra história! Somos tão diferentes dele assim? Medite na possibilidade de nossos relacionamentos estarem debaixo de semelhante senso de justiça própria… Nas ocasiões onde excluímos (cônscios disso ou não) os que pensam diferentes de nós, sem nem ao menos darmos uma chance de ouvir o outro lado da história. Sim, infelizmente o egoísmo (e a falta de maturidade cristã) podem nos trazer uma leitura equivocada das pessoas e da realidade que nos cerca. Concluímos que nosso senso de justiça é o do Senhor – e quando descobrimos que não é, não suportamos a graça do Senhor e fugimos.

Nos afastamos das pessoas, dos relacionamentos, de Deus…abandonamos a misericórdia e abraçamos o legalismo. Deixamos de edificar para sermos apenas servidos. Se não é do meu jeito, como eu penso, então não quero mais… Infelizmente, esta “armadilha” da justiça própria coloca o homem até acima de Deus, o que pode infelizmente ocasionar no abandono da vida cristã.

Qual a cura disso? Ver como Deus vê – ou seja, ler a realidade a partir da perspectiva bíblica, nos colocando em nosso devido lugar e prontos a obedecer a Deus sem questionar. A cura envolve em receber dEle a visão correta; e é isso que o Senhor vai fazer com Jonas.

“…não hei eu de ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4.11).

Enquanto Jonas os enxergava como um bando de pervertidos e indignos de qualquer misericórdia, o Senhor os via como “…ovelhas que não tem pastor, perdidos e sem qualquer referência de onde buscar ajuda”. 

Lembre-se sempre disso: antes de julgar alguém, procure saber de sua vida. Suas lutas, as dificuldades que superou até chegar ali. É fácil emitir uma opinião a partir de um ponto de vista particular. Entretanto, é cristão estender a mão, abraçar e, com o coração embebido do amor de Cristo, afirmar: “Está tudo bem. Nosso Salvador não veio buscar os sãos, mas sim os doentes…” (Mt 9.12)
Em Cristo, 
Pr. Daniel