Fim de ano chegando…já se ouve o barulho dos pratos das refeições em família, o alvoroço das crianças correndo para todos os lados e o reencontro com aqueles distantes pela geografia (às vezes, nem tão longe assim…a distância pode ser mesmo no coração…enfim…). O fato é que observamos uma mudança de “atmosfera”, como algo no ar, absorvida aos poucos por todos nós. Acrescente a isso as férias chegando (ou mesmo apenas alguns dias de folga) e temos alguns elementos que criam uma certa “tensão” frente à expectativa de mais um ano que se inicia.
É interessante observar os “ingredientes” que compõe este momento: os reencontros familiares, as refeições fartas, o relaxamento das obrigações cotidianas, o arrumar as malas e viajar e….claro, as promessas! Os planos propostos em nosso coração, aos outros e a Deus. Quantas são, não é? Tão comuns quanto à música de fim de ano da Globo (…hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem vier…). Mas por que elas nos atraem tanto?
Independentemente da condição real vivida por nós, sempre nos anima o fato de uma mudança de data ser um marco para novas atitudes. Dentre todas, a virada de ano traz consigo este “clima” gerado pela mídia e pela cultura de celebrar o novo. Obviamente, nosso inconsciente capta isso e sentimos mesmo algo diferente em nossas emoções. E o que fazemos? Promessas….
Prometemos finalmente começar a reforma; ou quem sabe, matricular-se na academia, começar a aprender um novo idioma, passar mais tempo com a família, ler mais a Palavra de Deus e dedicar-se firmemente à oração…promessas e mais promessas. No entanto, muitas vezes não percebemos que nós mesmos as repetimos todos os anos. Imagino que poucos façam esta análise, mas quantos podem olhar para trás e perceber o que realmente se tornou concreto ou ficou apenas no campo das ideias? O que fazemos quando olhamos para dentro de nós e constatamos que ainda falta?
O ano de 2012 foi um ano político, e com ele presenciamos as famosas promessas. Infelizmente, muito do que é prometido fica aquém de algo concreto e isso gera uma certa desconfiança em nosso interior. O motivo, claro, é a distância entre o que se fala e o que se cumpre; muitas vezes tratamos as promessas de homens e as promessas de Deus como iguais, desconfiando de todas. No entanto, como filhos de Deus, não podemos agir dessa forma. Há uma enorme diferença entre a origem de cada uma. Se não nos atentarmos a isso podemos deixar de viver livres e esperançosos – abandonando a confiança na graça e soberania divinas e passando a andar taciturnos e rabugentos. Abandonamos a fé que olha além das circunstâncias e nos tornamos parecidos com a hiena Hardy, famoso desenho de Hanna-Barbera dos anos 60 (eu lembro desse…é, a idade chega! Oh, céus, oh vida….rs….)
Vejamos um exemplo bíblico de alguém que resistiu às intempéries de uma geração corrompida e perseverou nas Palavras de nosso Deus. Acompanhe:
“Então os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a palavra que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus, em Cades Barnéia, por causa de mim e de ti” (Js 14.6)
Veja bem: este diálogo aconteceu quarenta e cinco anos após Deus ter dado a promessa! Na época, a primeira geração de israelitas falhou em crer na palavra dada pelo Senhor a respeito da conquista da terra de Canaã, e somente Josué e Calebe permaneceram fiéis. Por isso, como recompensa, Deus entrega uma porção de terra a Calebe. É isto sobre isso a menção à promessa que ele faz.
A Bíblia dá um nome a isso: fé. Ele nunca duvidou…e olha que o ambiente não era dos mais agradáveis. Calebe viveu, após o fracasso daquela primeira geração, cerca de quarenta e cinco anos no deserto com eles. Imagine a situação: você está lá, no meio do povo, cheio de fé. Vê com seus olhos a verdade do que Deus havia dito: a terra é boa…mana leite e mel…chega de escravidão! Adeus tijolos egípcios…é somente crer e lutar, assumir a responsabilidade de conquista e trabalhar….finalmente!
Mas….
Você olha para o lado, e tudo o que vê são olhares de descrédito e zombaria. A maioria esmagadora não crê e prefere voltar à escravidão…suas palavras de ânimos são abafadas pela murmuração da maioria…e, estupefato, vê seu plano de vida sendo adiado por um tempo…aliás, um longo tempo!
Como você reagiria a isso? Espalharia acusações por todos os lados? Ficaria de braços cruzados, bravo com Deus? Fugiria? Afinal de contas, você crê, mas devido à atitude da maioria é levado de volta ao deserto…logo agora que estava tão perto!
Mas não para aquele homem. Independente da situação ao seu redor, sua fé em Deus foi suficiente para lhe garantir a sanidade mental e a força emocional para atravessar os próximos quarenta e cinco anos de espera. Deixe-me repetir: quarenta e cinco anos! Não foram quarenta e cinco horas, dias ou semanas….mas anos! Nem vou perguntar o que faríamos ao receber de Deus uma resposta assim: “tudo bem, meu filho…vou conceder o que me pedes, mas somente daqui há quarenta e cinco anos…” Sobre isso, quero deixar aqui uma das pérolas preciosas encontradas nas Escrituras:
“Buscai no livro do Senhor e lede; nenhuma dessas coisas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a sua própria boca ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará”(Is 34.16)
O segundo aspecto a destacar encontramos no versículo seguinte de Josué:
“Da idade de quarenta anos era eu, quando Moisés, servo do Senhor, me enviou a Cades Barnéia a espiar a terra; e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração” (Js14.7)
Onde ele guardou as promessas? Onde ele creu na Palavra? No coração! Não é à toa que Jesus nos ensina a viver, em certos aspectos, como crianças para herdar o Reino. Creio este ser um deles. Experimente fazer uma promessa a uma criança pequena…ela normalmente não relativizará, não duvidará ou pedirá garantias…apenas crerá! Diga a seu filho de quatro, cinco anos que vai comprar um brinquedo e ele não ficará preocupado com os rumos da economia na Espanha! Lembre-se de, acima de tudo, guardar seu coração, pois é dele que saem as fontes de vida (Pv 4.23). Observe: um coração cheio de ira, amargura e desconfiança não irá esperar pelo tempo da promessa…ele sempre procurará a independência, o velho “fazer as coisas do meu jeito mesmo”. Bom, já sabemos onde isso vai dar, não é?
O terceiro aspecto a destacar vemos aqui:
” Mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu, porém, perseverei em seguir o Senhor, meu Deus” (Js 14.8)
Como falamos acima, Calebe foi perseverante e manteve sua fé, mesmo no meio de uma geração incrédula. Ao contrário da maioria, não foi na “onda” do povão. Não o vemos murmurando, reclamando, apontando o dedo para tudo e todos nem depressivo por ter tido seu sonho adiado. Ele apenas perseverou. Será que estamos prontos para receber as promessas do Senhor? Alguns tentaram ajudar a Deus e falharam… Abraão tentou dar um jeito e arrumou uma inimizade com Seu filho Isaque que perdura até os dias de hoje…Moisés tentou ajudar um hebreu matando um egípcio e fugiu para o deserto por quarenta anos…Rebeca foi ajudar seu filho Jacó a receber a primogenitura no lugar de Esaú e nunca mais viu seu filho…
O preço a se pagar, às vezes, é alto demais. Não tente ajudar a Deus…confiar em Suas promessas, trabalhar com o que temos em nossas mãos é o melhor que podemos fazer. E esperar, claro…o mais difícil! Os três exemplos bíblicos acima tem um ponto em comum: tentaram adiantar o plano de Deus. Definitivamente isso não dá certo…
Por fim, é importante ressaltar os benefícios práticos em esperar em Deus e crer em Suas promessas. Vejamos o que aconteceu com Calebe:
1) Deus renovará as nossas forças: mesmo após tanto tempo, seu ânimo e força estavam intactos. Aqueles que ousam crer são surpreendidos pela graça divina, que nos sustenta e leva sempre adiante…
“E, ainda hoje, estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, para sair e para entrar” (Js 14.11)
2) A companhia majestosa do Pai: não apenas nos dias de culto ou em momentos esparsos, mas ter Ele sempre conosco. São momentos de alegria? Ali está o Pai regozijando com você. Tristeza e dor? Ali está o Supremo Pastor, com Sua mão nos guiando em meio ao vale da sombra da morte. Sede de esperança? Pois Ele faz brotar de nosso interior um rio de águas vivas….afinal, o que você precisa hoje?
“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; pois, naquele dia, tu ouviste que os anaquins estão ali, grandes e fortes cidades há ali; porventura, o Senhor será comigo, para os derrotar, como o Senhor disse“ (Js 14.12 - grifo nosso)
Impressionante! Veja que Calebe sabe da presença de dificuldades, mesmo naquilo prometido pelo Senhor. Sim, há inimigos. Sim, eles são fortes. Sim, as muralhas são imensas….e sim, o Senhor é comigo e Ele me prometeu a vitória. Simples e poderoso.
Precisamos de algo mais para começarmos otimistas o ano novo?
Em Cristo,
Pr. Daniel