“Adeus ano velho, feliz ano novo…que tudo se realize no ano que vai nascer…muito dinheiro no bolso, saúde prá dar e vender…”
Quem já ouviu ou cantou esta canção popular entoada nestes dias? Todos conhecemos o enredo de fim de ano. A família reunida, a mesa farta, aqueles primos e tios que vemos apenas nesta época. Mesmo quando há algum tipo de desentendimento, este parece dar lugar à tolerância e ao bom convívio. Afinal de contas, é fim de ano! Para muitos, é tempo de colocar aquela lentilha na carteira (só para garantir que nunca fique vazia), vestir-se de branco (ah, a paz…) e, claro, se estiver no litoral, não custa nada molhar o pé e dar sete pulos em sete ondas…
Bom, crendices populares à parte (e há um monte delas por aí), esta música de fim de ano, assim como as famigeradas vinhetas da Globo (e o Roberto Carlos especial) fazem parte da “atmosfera” gerada nesta época. Porém, se deixarmos toda isto de lado, podemos perceber algo comum a todos nós? O que há de poderoso nesta época do ano, onde os sorrisos parecem mais sinceros e as amizades tão verdadeiras?
Esperança!
De um amanhã melhor, de poder sonhar novamente, de cumprir de uma vez por todas aquela dieta… (lembra-se? Sim, aquela mesmo…), de renovar as promessas… de finalmente terminar o curso (ou acabá-lo), e por aí vai. Resumindo, os sentimentos comuns a todos realmente parecem se encaixar na canção.
Mas será mesmo? Há algo de verdade nisso, ou falta uma peça no quebra-cabeça?
Obviamente, todos esperamos um ano com mais recursos, não só financeiros como também pessoais (a saúde, claro). Mas o que falta? Por quê entra ano, sai ano, e as coisas parecem não sair do lugar?
Observe este interessante texto escrito há cerca de 2.000 anos:
“Amado, desejo que em tudo te vá bem (sejas próspero) e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma. (assim como a tua alma está em prosperidade.) Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade” 3 Jo 2,3 (grifo nosso)
Leia novamente com atenção o texto de João. Viu algo semelhante com a canção de fim de ano? É citado aqui a prosperidade e a saúde. E diferente do que é cantado por aí, ambas estão profundamente ligadas a outro elemento de nossas vidas: a alma!
João usa aqui a palavra psiqué (ψυχή) que significa ”o lugar dos sentimentos, desejos, afeições e aversões”. Em outras palavras, o modo como a minha personalidade, meu caráter se manifestam exteriormente é a minha alma interagindo com o mundo. Assim, de algum modo, saúde e prosperidade estão ligados ao estado da minha alma. Se ela está bem, equilibrada e com uma visão real do mundo que me cerca, todas as áreas tendem ao equilíbrio – tanto física (saúde) quanto material (a prosperidade).
Seguindo este raciocínio, a prosperidade e a saúde dependem do estado da minha alma. E como a alma, ou o meu interior, pode estar bem? O texto traz a resposta, quando João afirma a conduta que Gaio tinha, como reflexo de seu bem estar: ele andava na verdade.
Portanto, o primeiro passo é conhecer a Verdade. Não uma qualquer, mas encarar a vida sob o crivo da Verdade – a Palavra de Deus revelada ao homem. Em outros termos, fazer uma leitura de nossa trajetória de vida pela opinião de Deus acerca dos fatos. E não há outro meio de se conhecer a vontade do Criador senão pelas Escrituras. Sim, é preciso sinceridade e honestidade consigo mesmo em encarar nosso “eu” nesse espelho, mas é necessário. Uma vida honesta é parte do caminho ao sucesso.
Honestidade em ver-se como realmente somos, Assumir a culpa pelos fracassos, pela incapacidade de ouvir o conselho dos mais chegados, e parar de culpar a todos e a Deus pelas mazelas da vida. Ninguém está isento dos contratempos – precisamos colocar nossas vidas nos trilhos da Verdade e por ela andar.
Andar não como se esta fosse uma nova filosofia de vida, mas de fazer desta Verdade o nosso modo de vida.
Fica a dica: que tal começarmos 2013 diferentes? Sendo sinceros conosco mesmos, conhecer e dar valor à opinião de Deus sobre a vida, e fazer desta Verdade nossa companheira de caminhada?
Creio que assim, muito além de algo lembrado apenas nesta época, a esperança será companheira na estrada da vida – neste ano e nos próximos…
Um fim de ano abençoados a todos, na Verdade,
Pr. Daniel
